Operações vão ocorrer em áreas consideradas de risco mapeadas pelas forças de segurança, nos moldes da ação no Aglomerado da Serra, em BH
Para conter o avanço do crime organizado em Minas Gerais, as forças de segurança já definiram seis operações de ocupação em áreas consideradas de risco, nos moldes da ação realizada no Aglomerado da Serra. As mobilizações devem ocorrer ao longo das próximas semanas e meses, informou o vice-governador Mateus Simões (PSD), nesta terça-feira (3/2), após participar de um curso de capacitação para oficiais da Polícia Militar.
Os locais são mantidos em sigilo para garantir a efetividade das ações. “Elas já estão desenhadas”, destacou. Segundo Simões, o efetivo disponível e a gestão de pessoal dificultam a realização de várias operações concentradas ao mesmo tempo. “Temos um cuidado muito grande para não prejudicar o patrulhamento ordinário”, afirmou. De acordo com ele, as ações são articuladas justamente para evitar que outras regiões fiquem desassistidas.
A ocupação do Aglomerado da Serra ocorreu no fim de dezembro, como resposta ao avanço do crime organizado e às disputas entre grupos criminosos. Em 21 de janeiro, cerca de um mês após a ofensiva, Simões disse, em participação no programa Café com Política, de O TEMPO, que o Estado deveria deflagrar operações em pelo menos nove áreas de risco já mapeadas.
A mobilização de efetivo para ações concentradas foi um dos temas abordados pelo vice-governador no curso de capacitação realizado na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. Segundo ele, é necessário formar policiais com perfil multitarefa, capazes de ser mobilizados e desmobilizados rapidamente, mudando a lógica de manter agentes fixos em um único tipo de atividade.
As operações estruturadas também passam pela ampliação do efetivo. Simões lembrou que, em março deste ano, está prevista a incorporação de 3 mil servidores à Polícia Militar, que estão concluindo o curso de formação. “Isso significa colocar quase 10% a mais de polícia na rua de uma vez só. Vamos passar a ter uma força de resposta muito ampliada”, acrescentou.
Disputa de facções por Minas Gerais
Segundo Simões, Minas Gerais está no centro da disputa das principais organizações criminosas do país — Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Terceiro Comando Puro (TCP). O motivo, conforme o vice-governador, é a relevância logística do Estado. “Minas é uma rota de entrada de drogas e armas. Precisamos cuidar do Estado como corredor de acesso do crime organizado”, explicou.
“Esse é o nosso maior desafio. Por isso, as operações de divisa e de fronteira são importantes para nós. E também por isso que as organizações criminosas estão disputando, entre elas, espaço no Estado”, acrescentou. Segundo Simões, até o momento não houve ocupação territorial por facções em Minas Gerais.
“Estamos cercados por três estados que têm graves problemas de segurança pública. Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo convivem com a presença do crime organizado dominando territórios. Ou seja, há áreas em que a polícia não consegue mais entrar. Isso não existe em Minas”, concluiu.
O tempo
