Zuza Nassif, CEO da Brasil Comunicação, alertou nesta quarta-feira (25/2) que muitos municípios mineiros precisam complementar os recursos destinados à saúde devido à insuficiência de repasses do Estado e da União. Segundo ele, essa situação acaba "obrigando" as cidades a usar verbas que deveriam ser destinadas a outros serviços essenciais para atender à demanda do SUS. O comentário foi feito durante a 2ª Jornada Mineira da Saúde, que apresentou pesquisa inédita realizada pelo instituto DATATEMPO em parceria com a agência, com um diagnóstico sobre a realidade da gestão do SUS em Minas Gerais.
“Quando o município tem que complementar a verba de saúde, ele deixa de construir a ponte que caiu, ele deixa de fazer a casa que precisa, ele deixa de construir a escola, ele deixa de fazer o asfalto que é necessário. Ou seja, são outras áreas da cidade que vão deixando de ser feitas," alertou.
A pesquisa apresentada revela que 83% dos secretários consideram insuficientes os recursos destinados à saúde. "Então o sistema precisa ser repensado, colocado na mesa, porque sim, precisamos dar um passo da saúde, precisamos melhorar ainda muito e precisamos entender também vai financiar isso,” relatou.
O evento também discutiu a digitalização como ferramenta para melhorar a gestão e reduzir filas. Para Zuza, a digitalização tem dois impactos principais. No planejamento interno, ela permite antecipar gastos com medicamentos, contratação de médicos e acompanhamento de pacientes crônicos, evitando hospitalizações desnecessárias. “Você vai saber quanto estimado você vai precisar de gastar para os próximos anos de medicamento, quanto você tem que investir em contratação de médico, quais são seus doentes crônicos, o que que você precisa fazer com eles para evitar que eles sejam hospitalizados ou passem por cirurgia,"explicou.
Para os usuários, a digitalização oferece agendamento de consultas e exames sem sair de casa, economizando tempo e custos. Zuza destacou ainda a importância da prevenção: “Quando você tem um prontuário eletrônico digitalizado, você consegue saber se aquele paciente ele tem diabetes, ele está com pressão alta, o que que eu preciso fazer para evitar que complique a situação dele? A gente começa com a digitalização, falar de prevenção e não só de tratamento de doenças.”
Apesar dos benefícios, a implementação enfrenta obstáculos. Quase 80% dos secretários querem adotar soluções digitais, mas a falta de infraestrutura e treinamento é um entrave. Zuza explicou que “na ponta, para você poder montar um serviço de telemedicina, você tem que ter um cara de TI, você tem que ter o computador, você tem que ter uma internet de alta qualidade, você tem que ter alguns equipamentos. Então não é só montar para poder conversar com o médico do outro lado.”
Ele ressaltou ainda que muitos municípios recebem materiais de telemedicina, mas não sabem como implementar. “O que que eu faço com isso? Cadê o suporte? Como que eu implemento? Quem paga? De onde que eu vou tirar essa verba?”, questionou.
O que os secretários dizem
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas com secretários de saúde das 100 maiores cidades mineiras. Mariela Rocha, cientista política e analista de pesquisa senior do DATATEMPO, destacou que a principal dificuldade que os secretários enfrentam é atuação do dia a dia, já que a responsabilidade deles é a "atuação na ponta do sistema".
"Então, por exemplo, as pessoas precisam de saúde de alta ou média complexidade, que é a responsabilidade do estado. Quando fica moroso, ai fila vai crescendo e quem sofre o efeito dessa demora na fila é o município que tem que ficar segurando aquele paciente nas UBSs. Então, eles têm uma visão de executor de ponta de quem tá na ponta. Eles reconhecem o esforço das outras esferas de coordenação do SUS, mas eles sentem que tão com o trabalho assim mais direto e eles sentem isso," concluiu.
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