Nos últimos anos, o número de adultos que continuam morando com os pais aumentou no Brasil e também em diversos países, em um fenômeno ligado a fatores econômicos, sociais e culturais.
No Brasil, pesquisas recentes da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram mudanças nos arranjos familiares e na composição dos domicílios. Embora o número de pessoas morando sozinhas tenha crescido — chegando a cerca de 18,6% dos lares em 2024 — parte significativa da população adulta continua no lar dos pais por mais tempo, principalmente entre jovens que enfrentam desafios econômicos para conquistar autonomia financeira e moradia própria.
Especialistas apontam que fatores como o aumento do custo de vida, preços elevados dos aluguéis e dificuldades no mercado de trabalho têm levado muitos adultos a postergar a saída da casa dos pais. Além disso, a pandemia da Covid-19 intensificou esse cenário em vários países, fazendo com que jovens voltassem temporariamente para o lar familiar por questões de segurança e economia financeira.
Levantamentos no exterior também refletem a tendência de maior permanência na casa dos pais. Nos Estados Unidos, cerca de um em cada três adultos jovens entre 18 e 34 anos vive com um dos pais, segundo análise do Pew Research Center usando dados do U.S. Census Bureau. Em partes da Europa, os números são ainda mais altos: em países como Croácia, Grécia, Itália e Portugal, mais de 70% dos adultos jovens dessa faixa etária continuam morando com a família, de acordo com dados comparados entre países europeus.
Na União Europeia, cerca de 20% dos adultos entre 30 e 34 anos ainda vivem com os pais, e mais de 40% entre 25 e 29 anos permanecem no domicílio familiar — números que ilustram como a crise de moradia e o alto custo de vida dificultam a independência residencial.
Além dos aspectos econômicos, estudos internacionais apontam também mudanças nos comportamentos sociais: muitos jovens estão adiando o casamento, a formação de família e a compra da casa própria, optando por investir em educação, carreira ou poupança antes de sair do lar dos pais.
Esse fenômeno não é uniforme em todos os países — enquanto em algumas nações nórdicas os jovens saem de casa mais cedo, em países do sul da Europa a permanência no lar dos pais pode ultrapassar os 30 anos — mas a tendência geral de permanência prolongada é perceptível em diferentes contextos populacionais e econômicos ao redor do mundo.
Radio Caparaó
