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Policial da PRF e influenciador é denunciado ao Ministério Público Federal por misoginia

Publicada em: 11/04/2026 06:58 -

Breno Faria é alvo de representação por propagar discurso de ódio contra mulheres e exercer atividade empresarial ilegal

 

O policial rodoviário federal Breno Vieira Faria foi denunciado ao Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira (8) por propagar conteúdos misóginos e exercer atividade empresarial irregular na internet. A representação foi protocolada pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) e pela advogada Natália Szermeta Boulos. O servidor atua como influenciador digital por meio do canal "Café com teu pai".

 

 

A denúncia detalha como o agente utiliza as redes para subjugar o público feminino, lucrando ativamente com a propagação de discursos de ódio. O documento judicial é embasado em um levantamento recente do portal Núcleo, que mapeou o alcance dessas publicações. "O agente mantém intensa atuação como influenciador digital, com milhões de seguidores e significativa monetização de conteúdo", destaca o ofício enviado ao órgão federal.

 

Aos 31 anos, Faria ultrapassou a marca de dois milhões de seguidores explorando uma sátira do mercado literário religioso devocional. Seu crescimento explosivo desde fevereiro de 2025 atrai majoritariamente homens ligados à chamada "machosfera", um ecossistema digital que recruta e radicaliza jovens por meio da humilhação estrutural e do forte combate à igualdade de direitos de gênero.

 

Estereótipos e desqualificação feminina

 

A representação apresentada ao MPF destaca a agressiva carga de estereótipos machistas e a contínua desqualificação das mulheres nos vídeos do servidor. Em publicações de alto engajamento no TikTok, o influenciador utiliza a ultrapassada analogia da "chave e da fechadura" para criar uma falsa hierarquia de valor, definindo que a mulher com muitos parceiros é "uma fechadura que não presta".

A tentativa de ditar regras de submissão psicológica permeia toda a estratégia de roteiro do canal virtual. Breno Faria decreta em entrevistas que mulheres bem-sucedidas e solteiras acima dos 30 anos são inevitavelmente "problemáticas". Em outras publicações, ele aconselha o público feminino a adotar posturas passivas, comparando a resolução de conflitos conjugais ao método de adestramento animal.

 

Exploração comercial ilegal e desrespeito à PRF

 

Além do forte teor discriminatório, a denúncia cobra uma investigação criminal e civil sobre o enriquecimento ilícito do policial na internet. O agente comercializa produtos digitais voltados para mulheres, prometendo ensinar técnicas para a manutenção de relacionamentos amorosos sérios. Toda a estratégia de venda ocorre sem que ele possua formação acadêmica ou licença profissional em psicologia.

 

A estrutura de gestão de tráfego e vendas expõe graves indícios de atividade empresarial ativa, prática expressamente proibida pela Lei nº 8.112/1990 aos ocupantes de cargos federais. O criador de conteúdo também demonstra desrespeitar o regime de dedicação exclusiva exigido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), admitindo em seus próprios vídeos que cumpre expediente na corporação apenas durante alguns dias da semana.

 

Risco de exoneração e medidas judiciais

 

O código de conduta interno da PRF é taxativo ao proibir que policiais monetizem conteúdos digitais privados e veiculem discursos que promovam preconceitos. Ao usar o peso de sua credencial federal para chancelar publicações discriminatórias, o influenciador associou a imagem institucional das forças de segurança a um crime de gênero, ferindo diretamente o princípio constitucional da moralidade administrativa.

Diante do volume de provas materiais e audiovisuais, as autoras da ação exigem do MPF a apuração imediata das condutas e o acionamento dos conselhos de ética institucionais. Se as irregularidades com marketing e violações de direitos forem confirmadas, Faria será alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), enfrentando o risco real de exoneração do serviço público. A reportagem buscou contato com o servidor, mas não obteve retorno.

 

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