Há exatos dez anos, o Brasil registrava o primeiro reconhecimento judicial de uma união poliafetiva no país, em São Paulo. Em 2026, o modelo de relacionamento não monogâmico deixou de ser tabu para se tornar assunto na sociedade, palco de debates.
De acordo com dados divulgados, houve um aumento de 340% nas buscas por "poliamor" no Google Brasil entre 2019 e 2025, sendo mais de 2,1 milhões de brasileiros identificados como praticantes de relações não monogâmicas éticas; e 68% dos jovens entre 18 e 35 anos dizem ser "abertos a entender" o modelo poliafetivo.
O crescimento, inclusive, não é apenas cultural, visto que especialistas apontam que a confluência de fatores econômicos, emocionais e tecnológicos criou um ambiente propício para que um número crescente de brasileiros questione os limites do amor romântico
"O que muitos chamam de 'novo jeito de amar' é também, em parte, uma resposta ao esgotamento do modelo nuclear. Quando duas pessoas precisam sustentar um apartamento, criar filhos e ainda oferecer suporte emocional uma à outra sem nenhuma rede de apoio, o peso é gigante. Nas redes poliafetivas, essa carga é distribuída — e isso tem um valor prático e psíquico enorme", explica Wantuir Rock, sexólogo e psicólogo.
Um dos fatores para o aumento de relacionamentos abertos podem ser associados, também, a fatores emocionais. "Você não consegue ter mais de uma relação saudável se não souber nomear o que sente e negociar limites com honestidade", detalha o especialista.
Para Wantuir, o crescimento do modelo não monogâmico não representa o fim do amor, mas uma ampliação de suas formas possíveis. "A monogamia não vai deixar de existir. Mas a ideia de que ela é a única forma legítima de amar está, finalmente, sendo questionada em voz alta. E isso é saudável para todo mundo — inclusive para quem escolhe a monogamia por convicção, e não por falta de alternativa", pontua.
Observatorio G
