Mesmo com leve queda no volume físico embarcado em 2025, faturamento do setor é o maior da série histórica, impulsionado por produtos de maior valor agregado
O setor cervejeiro brasileiro alcançou um feito inédito no mercado internacional. Mesmo registrando uma retração de 5,1% no volume físico embarcado para o exterior, o valor das exportações de cerveja nacional deu um salto e atingiu o recorde histórico de US$ 218,4 milhões. Os dados constam no Anuário da Cerveja 2026 (ano-base 2025), divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O resultado financeiro evidencia uma forte valorização da bebida brasileira no mercado global, sugerindo que o país tem exportado produtos de maior valor agregado (premium). A balança comercial do setor fechou com um superávit expressivo: enquanto o Brasil vendeu US$ 218,4 milhões, o gasto com a importação de marcas estrangeiras somou apenas US$ 9,4 milhões.
“Embora o crescimento interno tenha sido mais contido, o avanço no valor das exportações e o superávit histórico da balança comercial destacam o protagonismo crescente da cerveja brasileira no mercado internacional”, avaliou Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa.
A rota da cerveja: para onde vai e de onde vem?
O mercado sul-americano continua sendo o destino quase absoluto da produção brasileira exportada, retendo 98,5% do volume. O Paraguai lidera isolado como o maior comprador da cerveja do Brasil, abarcando 62,3% dos embarques, seguido por Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile. No total, a bebida nacional chegou a 77 países.
No caminho inverso, as importações brasileiras de cerveja dispararam 251,4% em volume, saltando de 7,5 milhões de litros para 26,3 milhões de litros. Curiosamente, o gasto total com essas compras subiu apenas 1,7%, o que revela uma forte queda no preço médio das marcas importadas que chegam ao país. Os Estados Unidos foram os principais fornecedores, respondendo por 74,2% do volume que entrou no Brasil, seguidos por Alemanha, Argentina, Uruguai e Espanha.
Motor de empregos
Para além do brinde, o setor se consolidou como um forte motor de estabilidade econômica e social. A cadeia de bebidas superou a marca de 143 mil empregos diretos no país. Desse montante, 41.976 postos de trabalho operam especificamente na fabricação de malte, cerveja e chope, consolidando a relevância do segmento na geração de renda interna.
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