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Presa: Deolane Bezerra é apontada como ‘nova face do PCC’, teria movimentado R$ 140 milhões

Publicada em: 22/05/2026 07:08 -

 

 

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra é alvo de uma das principais investigações em andamento do Ministério Público de São Paulo e do Gaeco, que apuram um esquema milionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.

O caso ganhou grande repercussão após declarações do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, referência no combate ao crime organizado no estado, que afirmou que Deolane seria a “nova face do PCC”, por supostamente atuar em um sistema de ocultação de patrimônio e movimentação de recursos ilícitos.

 

Movimentação milionária e suspeita de incompatibilidade financeira

 

Segundo as investigações, cerca de R$ 140 milhões teriam circulado em contas ligadas à influenciadora em um período de aproximadamente dois anos. O Ministério Público afirma que parte dessas movimentações não teria justificativa compatível com a renda declarada.

De acordo com os investigadores, os valores seriam inseridos no sistema financeiro por meio de empresas, contratos e contas bancárias, sendo posteriormente “misturados” a rendimentos legais para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.

 

 

Carro de luxo de mais de R$ 2 milhões entra na investigação

 

Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi a aquisição de um veículo de luxo avaliado em mais de R$ 2 milhões, que, segundo a apuração, não é comercializado oficialmente no Brasil, o que reforçou suspeitas sobre importação e origem dos recursos utilizados na compra.

Esse bem passou a ser citado como parte do conjunto patrimonial analisado pelo Ministério Público, dentro do contexto de suposta lavagem de dinheiro e movimentação de alto valor.

A marca americana não comercializa veículos no Brasil e confirmou que só deve chegar ao país no último trimestre de 2026, além de oferecer apenas carros elétricos no mercado nacional.

Para chegar ao Brasil, o veículo, que custa em média R$ 875 mil, precisou passar por um processo de importação independente, que pode chegar ao custo de R$ 2,1 milhões. Porém ainda não é claro se a advogada adquiriu o carro nos Estados Unidos ou o comprou seminovo, já no país.

Além do Cadillac, Deolane teve um Mercedes-Benz G61, um Range Rover e um Jeep Commander apreendidos. 

 

 

Estrutura do esquema e operação financeira

 

O Ministério Público sustenta que o esquema funcionaria com o uso de empresas de fachada e contas de terceiros para movimentar valores oriundos de atividades ilícitas.

As etapas descritas pelos investigadores incluem:

  • Entrada de dinheiro de origem criminosa no sistema financeiro;

  • “Limpeza” dos valores por meio de empresas e movimentações fracionadas;

  • Retorno dos recursos ao núcleo do grupo investigado.

A suspeita é de que pessoas com grande visibilidade pública teriam sido usadas como parte da engrenagem para dar aparência de legalidade às transações.

 

 

Origem da investigação e nomes citados

 

A investigação começou em 2019, após a apreensão de bilhetes dentro do sistema prisional paulista, que indicavam movimentações internas do PCC e possíveis fluxos financeiros externos.

Com o avanço das apurações, surgiram nomes ligados à estrutura da facção, incluindo:

  • Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) – líder do PCC, preso em presídio federal;

  • Everton de Souza, o “Player” – apontado como operador financeiro do esquema;

  • Integrantes da família Camacho, como Alejandro, Leonardo e Paloma, citados em conexões indiretas com o núcleo financeiro.

Segundo o Ministério Público, esse grupo seria responsável por articular a movimentação e distribuição de recursos da facção.

 

 

Operador financeiro e empresas investigadas

 

O operador financeiro conhecido como “Player” é apontado como peça central do esquema, responsável por gerenciar contas, transferências e intermediações financeiras.

Entre as empresas citadas nas investigações está a Lopes Lemos Transportes, que teria sido usada como possível instrumento para circulação de valores e ocultação de origem do dinheiro.

 

 

Prisão e transferência para presídio feminino

 

Com o avanço das investigações e a decretação da prisão preventiva, Deolane foi detida e posteriormente transferida para a Penitenciária Feminina de Sant’Ana, em São Paulo.

A prisão foi mantida após audiência de custódia. Em vídeos divulgados após sua saída da delegacia, ela afirmou que confia na Justiça e que provará sua inocência.

 

Acusações do Ministério Público

 

O promotor Lincoln Gakiya afirma que o caso representa uma evolução da atuação do crime organizado, que passa a utilizar pessoas públicas e estruturas empresariais sofisticadas para movimentar dinheiro.

Segundo ele, o objetivo não é apenas ocultar recursos, mas também inserir o capital criminoso na economia formal com aparência de legalidade.

O Ministério Público afirma que a denúncia deve ser apresentada após a conclusão da análise de dados bancários, fiscais e documentos apreendidos.

 

 

Defesa nega envolvimento

 

A defesa de Deolane nega todas as acusações e afirma que não há provas que sustentem ligação com o PCC ou participação em esquema de lavagem de dinheiro.

Os advogados alegam que todas as movimentações financeiras têm origem lícita e compatível com suas atividades profissionais e empresariais.

 

 

Investigação segue em andamento

 

O caso segue em fase final de apuração, e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.

Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, Deolane poderá responder por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem ser agravadas dependendo da participação no esquema.

 

Informações da Itatiaia

 

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