A influenciadora e advogada Deolane Bezerra é alvo de uma das principais investigações em andamento do Ministério Público de São Paulo e do Gaeco, que apuram um esquema milionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.
O caso ganhou grande repercussão após declarações do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, referência no combate ao crime organizado no estado, que afirmou que Deolane seria a “nova face do PCC”, por supostamente atuar em um sistema de ocultação de patrimônio e movimentação de recursos ilícitos.
Movimentação milionária e suspeita de incompatibilidade financeira
Segundo as investigações, cerca de R$ 140 milhões teriam circulado em contas ligadas à influenciadora em um período de aproximadamente dois anos. O Ministério Público afirma que parte dessas movimentações não teria justificativa compatível com a renda declarada.
De acordo com os investigadores, os valores seriam inseridos no sistema financeiro por meio de empresas, contratos e contas bancárias, sendo posteriormente “misturados” a rendimentos legais para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Carro de luxo de mais de R$ 2 milhões entra na investigação
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi a aquisição de um veículo de luxo avaliado em mais de R$ 2 milhões, que, segundo a apuração, não é comercializado oficialmente no Brasil, o que reforçou suspeitas sobre importação e origem dos recursos utilizados na compra.
Esse bem passou a ser citado como parte do conjunto patrimonial analisado pelo Ministério Público, dentro do contexto de suposta lavagem de dinheiro e movimentação de alto valor.
A marca americana não comercializa veículos no Brasil e confirmou que só deve chegar ao país no último trimestre de 2026, além de oferecer apenas carros elétricos no mercado nacional.
Para chegar ao Brasil, o veículo, que custa em média R$ 875 mil, precisou passar por um processo de importação independente, que pode chegar ao custo de R$ 2,1 milhões. Porém ainda não é claro se a advogada adquiriu o carro nos Estados Unidos ou o comprou seminovo, já no país.
Além do Cadillac, Deolane teve um Mercedes-Benz G61, um Range Rover e um Jeep Commander apreendidos.
Estrutura do esquema e operação financeira
O Ministério Público sustenta que o esquema funcionaria com o uso de empresas de fachada e contas de terceiros para movimentar valores oriundos de atividades ilícitas.
As etapas descritas pelos investigadores incluem:
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Entrada de dinheiro de origem criminosa no sistema financeiro;
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“Limpeza” dos valores por meio de empresas e movimentações fracionadas;
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Retorno dos recursos ao núcleo do grupo investigado.
A suspeita é de que pessoas com grande visibilidade pública teriam sido usadas como parte da engrenagem para dar aparência de legalidade às transações.
Origem da investigação e nomes citados
A investigação começou em 2019, após a apreensão de bilhetes dentro do sistema prisional paulista, que indicavam movimentações internas do PCC e possíveis fluxos financeiros externos.
Com o avanço das apurações, surgiram nomes ligados à estrutura da facção, incluindo:
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Marcos Willians Herbas Camacho (Marcola) – líder do PCC, preso em presídio federal;
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Everton de Souza, o “Player” – apontado como operador financeiro do esquema;
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Integrantes da família Camacho, como Alejandro, Leonardo e Paloma, citados em conexões indiretas com o núcleo financeiro.
Segundo o Ministério Público, esse grupo seria responsável por articular a movimentação e distribuição de recursos da facção.
Operador financeiro e empresas investigadas
O operador financeiro conhecido como “Player” é apontado como peça central do esquema, responsável por gerenciar contas, transferências e intermediações financeiras.
Entre as empresas citadas nas investigações está a Lopes Lemos Transportes, que teria sido usada como possível instrumento para circulação de valores e ocultação de origem do dinheiro.
Prisão e transferência para presídio feminino
Com o avanço das investigações e a decretação da prisão preventiva, Deolane foi detida e posteriormente transferida para a Penitenciária Feminina de Sant’Ana, em São Paulo.
A prisão foi mantida após audiência de custódia. Em vídeos divulgados após sua saída da delegacia, ela afirmou que confia na Justiça e que provará sua inocência.
Acusações do Ministério Público
O promotor Lincoln Gakiya afirma que o caso representa uma evolução da atuação do crime organizado, que passa a utilizar pessoas públicas e estruturas empresariais sofisticadas para movimentar dinheiro.
Segundo ele, o objetivo não é apenas ocultar recursos, mas também inserir o capital criminoso na economia formal com aparência de legalidade.
O Ministério Público afirma que a denúncia deve ser apresentada após a conclusão da análise de dados bancários, fiscais e documentos apreendidos.
Defesa nega envolvimento
A defesa de Deolane nega todas as acusações e afirma que não há provas que sustentem ligação com o PCC ou participação em esquema de lavagem de dinheiro.
Os advogados alegam que todas as movimentações financeiras têm origem lícita e compatível com suas atividades profissionais e empresariais.
Investigação segue em andamento
O caso segue em fase final de apuração, e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.
Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, Deolane poderá responder por crimes como organização criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem ser agravadas dependendo da participação no esquema.
