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Pesquisa aponta que mais da metade da 'geração millennial' sofre com esgotamento mental

Publicada em: 23/05/2026 05:34 -

 

Especialistas da USP apontam que uso de telas, pressão por produtividade e insegurança no trabalho estão entre os principais fatores

 

A promessa de que esforço constante seria suficiente para garantir estabilidade e sucesso profissional parece ter deixado uma conta alta para parte dos millennials. Segundo especialistas ouvidos pelo Jornal da USP, o excesso de exposição às telas e a dificuldade crescente de desconectar do trabalho estão entre os principais elementos associados ao avanço do esgotamento mental nessa geração.

Os millennials, grupo formado por pessoas nascidas entre as décadas de 1980 e 1990, cresceram em um contexto de valorização intensa da produtividade e da ideia de construção contínua de desempenho. Hoje, segundo levantamento citado pelo Jornal da USP, cerca de 66% deles relatam níveis moderados ou elevados de esgotamento profissional, quadro que pode evoluir para burnout.

 

De acordo com os professores Marcos Neli e Vera Navarro, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, a chamada hiperconexão alterou profundamente a relação entre tempo livre, trabalho e descanso. A presença contínua em ambientes digitais cria um ciclo em que o indivíduo permanece acessível, atento e em constante estado de resposta.

 

Para os pesquisadores, o problema não está apenas no uso de dispositivos eletrônicos, mas na lógica que passou a organizar o cotidiano. O descanso deixou de representar interrupção e passou a ser frequentemente encarado como oportunidade de desenvolvimento pessoal, aperfeiçoamento ou construção de imagem pública. Esse fenômeno também aparece nas relações de trabalho. Jornadas extensas, metas consideradas excessivas e vínculos profissionais mais instáveis contribuem para ampliar sentimentos de insegurança e desgaste emocional. Segundo a análise apresentada ao Jornal da USP, o cenário favorece o crescimento de sintomas como ansiedade, depressão e síndrome de burnout.

 

Outro ponto destacado pelos especialistas é o enfraquecimento das fronteiras entre vida pessoal e profissional. Com celulares, redes sociais e plataformas digitais funcionando de forma contínua, muitos trabalhadores relatam dificuldade para interromper mentalmente atividades ligadas ao emprego mesmo fora do expediente.

A necessidade de demonstrar atualização constante e disponibilidade também influencia comportamentos nas redes sociais. Em um ambiente marcado por instabilidade econômica e competitividade, a exposição da rotina e a construção de uma imagem de produtividade acabam sendo percebidas por muitos como uma forma de permanecer relevante no mercado.

 

Ainda segundo os especialistas ouvidos pela USP, esse processo pode tornar mais difícil perceber quando o cansaço ultrapassa o limite do desgaste cotidiano e se transforma em um quadro de adoecimento mental. Muitas vezes, os sinais só ficam evidentes quando surgem crises mais severas, como episódios depressivos, síndrome do pânico ou outras manifestações relacionadas ao esgotamento psicológico.

 

Itatiaia

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