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Vendas de tadalafila crescem 70% em dois anos e uso sem indicação médica preocupa especialistas

Publicada em: 02/07/2026 06:45 -

Levantamento mostra alta contínua na comercialização do medicamento para disfunção erétil no país 

 

As vendas de tadalafila, medicamento usado no tratamento da disfunção erétil, cresceram 70% em dois anos no Brasil. Os dados foram repassados com exclusividade à reportagem de O TEMPO pela Close-Up International Brasil, agência de dados do Canal Farmacêutico, que reúne todas as farmácias e drogarias do país. O volume comercializado saltou de 16,3 milhões de unidades em maio de 2024 para 27,7 milhões em maio de 2026, alta de 11,4 milhões de doses vendidas no período. O avanço, segundo especialistas, reflete tanto a maior facilidade de acesso ao tratamento quanto uma mudança na forma como os homens encaram a própria saúde sexual.

 

 

O crescimento não foi pontual: entre 2024 e 2025, as vendas subiram 29,7%, com acréscimo de 4,8 milhões de unidades; já entre 2025 e 2026, a alta foi ainda maior, de 31,1%, equivalente a mais 6,57 milhões de doses comercializadas. Para o urologista Maxmillan Alkimin, especialista em reposição hormonal e professor do Hospital Universitário Ciências Médicas de Minas Gerais, o salto tem explicação multifatorial. “É a combinação de genéricos mais baratos, telemedicina facilitando a prescrição e a queda do tabu em falar sobre o assunto”, afirma o médico.

 

A aceleração entre os dois períodos chama atenção dos especialistas. Segundo Alkimin, o movimento não se explica apenas por fatores de mercado. “A aceleração contínua não bate com efeito passageiro de mercado — indica que os homens estão encarando o tema com mais naturalidade e procurando tratamento antes, inclusive de forma preventiva”, avalia.

 

O aumento expressivo no consumo, no entanto, não significa necessariamente que a disfunção erétil esteja mais frequente entre a população masculina. “Não necessariamente. Vem misturado: parte é acesso facilitado, e parte é prevalência real subindo por sedentarismo, obesidade, diabetes e estresse crônico”, pondera o urologista, que também cita a redução do preconceito em torno do tema como fator de peso para a busca por tratamento.

 

 

Uso sem prescrição alerta especialistas

 

A popularização do medicamento, contudo, acende um alerta entre médicos: o uso por conta própria, sem avaliação médica, pode mascarar problemas de saúde mais graves. “Mascarar diagnóstico é o principal problema. A disfunção erétil às vezes é o primeiro sinal de um problema cardiovascular, diabetes ou testosterona baixa. Também há risco grave de interação com nitratos”, explica Alkimin.

Por isso, o especialista reforça a importância de procurar um urologista antes de iniciar o uso da tadalafila, especialmente em homens de meia-idade. “A queixa pode ser porta de entrada para investigar coração, hormônios e metabolismo. Em homens de meia-idade, muitas vezes ela aparece antes de um evento cardiovascular maior”, diz o médico.

 

 

Uso do medicamento na academia

 

Outra tendência observada por Alkimin é o uso da tadalafila entre frequentadores de academia que não apresentam disfunção erétil, na expectativa de melhorar o desempenho nos treinos. Para o urologista, porém, trata-se de um mito. “Não existe evidência de ganho de força, resistência ou hipertrofia. O que existe é a sensação de ‘congestão’ pelo efeito vasodilatador, além de um fator cultural e estético”, afirma.

O especialista alerta que esse uso indiscriminado, sem indicação médica, também traz riscos à saúde. Entre eles, queda de pressão perigosa, principalmente quando combinado a pré-treinos estimulantes, mascaramento de problemas hormonais reais e o desenvolvimento de dependência psicológica para o desempenho sexual sem necessidade clínica. “É preciso entender que a tadalafila é um medicamento, não um suplemento. Todo uso deveria passar por avaliação médica prévia”, conclui Maxmillan Alkimin.

 

 

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