Decisão temporária visa a a redução da importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano
O aumento da concentração de etanol de 30% para 32% na gasolina dos postos de combustível passa a valer no dia 1º de agosto e terá vigência inicial de 180 dias (ou seja, até o dia 28 de janeiro), podendo ser prorrogada por igual período, de acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME).
A decisão é temporária, mas mira o futuro. Com a implementação do E32, estima-se a redução da importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, de acordo com a pasta. Cerca de 15% do combustível consumido no Brasil é importado.
Nesta terça-feira (14/7), o aumento da concentração de etanol de 30% para 32% na gasolina foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), vinculado ao MME. Segundo o governo federal, a medida é uma estratégia para reduzir a dependência de importação de gasolina, especialmente em um momento de maior volatilidade do mercado de petróleo.
Segundo o ministério, o caráter temporário da implementação permitirá ampliar os estudos para misturas com teores superiores de etanol até o E35, que é o limite permitido pela Lei do Combustível do Futuro. A pasta lembra ainda que a decisão foi tomada com base nos estudos técnicos concluídos em março de 2025 pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), que atestaram a viabilidade técnica da mistura E32.
Ainda conforme a pasta, os ensaios avaliaram desempenho, consumo, emissões, partida a frio, dirigibilidade e compatibilidade de materiais e componentes dos sistemas de alimentação dos veículos, contando com a contribuição de representantes da indústria automotiva.
“Os estudos realizados demonstraram que a utilização da gasolina E32 apresenta comportamento compatível com a frota nacional de veículos duas e quatro rodas, movidos exclusivamente à gasolina, sem evidências de impactos relevantes ao funcionamento dos veículos avaliados, fornecendo requisitos técnicos necessários para a alteração aprovada pelo CNPE”, afirma o ministério, por meio de nota.
Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) acredita que deveria haver mais estudos agora sobre o aumento do percentual do etanol na gasolina. "A Anfavea defende que a adoção do E32 ocorra somente após a conclusão de novos estudos específicos, capazes de comprovar que a mistura é compatível com a frota em circulação e garante a segurança técnica e a proteção do consumidor brasileiro", diz a entidade, em nota. O temor é que a mudança possa afetar veículos importados, mais antigos e/ou movidos exclusivamente a gasolina.
(Com Gabriel Rodrigues) / O tempo
